SAUDADES DA COPA DO MUNDO em tempo de "ELEIÇÕES" no BRASIL. Por Carlos Pronzato desde Brasil
| Carlos Pronzato |
Infelizmente daqui a dois anos começam a fluir de novo os rios de dinheiro para as gráficas, jornais, tvs, rádios, campanhas e principalmente para os votos das novas eleições, ainda bem que não presidenciais, estas tiram muito mais o precioso tempo da gente durante meses a fio num ping pong de "notícias" iguais umas das outras, só muda o lado de onde vem o soco. Na Copa, ao menos havia favoritos, é claro, os mesmos de sempre, mas sempre são mais do que os dois concorrentes à Copa tupiniquim. Nesta chatice eleitoreira nem tem um Cabo Verde para sair da mesmice dos grandes, nem o espetáculo espontâneo das torcidas nem uma bandeira das Malvinas Argentinas, afrontando o poder da FIFA. Na Copa tupiniquim que terá o seu campeão neste domingo 4 de outubro (ou até mais na frente se houver um jogo a mais definitório) ninguém afronta o poder da FIESP e das suas similares estaduais, ninguém toca na brutalidade criminosa das PM do país, ninguém mexe nos lucros das multinacionais, ninguém barra as máfias dos transportes em benefício da população que passa 5 horas diárias encima de latas velhas com rodas (motoristas só para a casta política do primeiro ao quinto mandato) ninguém acaba com a exploração do trabalhador, de cujo bolso, de cujo imposto se pagam as campanhas milionárias.
Tudo é encenação, tudo é ficção e o pior nem VAR tem na política ou vão dizer que a privilegiada casta jurídica tem moral para marcar um impedimento ou desmarcar um pênalti mal cobrado. Bom, o jogo que roubaram ao Lula em 2018 foi anulado, é exceção. Mas, demora muito. Na Copa do Mundo, as decisões, justas ou injustas, são rápidas e evitam transformar o ser humano numa bolsa infinita de pancadas "informativas" de campanha, durante meses em que a vida assume a forma de uma urna com uma cenoura, atrás da qual corremos sem sentido, para não refletir com seriedade numa política sem publicidades capitalistas. Bom, a Copa é a mesma coisa, é a festa mundial do capital, mas dura UM MÊS! UM ÚNICO MÊS! A insuportável, repetitiva, oca, falsa, bilionária! campanha eleitoral começa ANTES do ano eleitoral. Um ANO inteiro sem luta social, um ano inteiro de silêncio genuinamente político, um ano inteiro de "deixa passar a eleição"...arf. Na Copa, que oferece momentos de inesquecível alegria pela qualidade de certos jogadores, nem as eliminatórias, que hoje classificam praticamente todo mundo, atraem a atenção antes do MÊS da Copa, a cada 4 anos. A cada 4 anos!, igual a Copa dos votos! FIFA e período "eleitoral" duas forças financeiras de incomensurável poder, financeiro e mental. Bom, poderia esmiuçar muito incômodo, indisposição e revolta por tanta inércia política e social durante o período "eleitoral", mas fico por aqui, desejando - além de boa sorte aos amigos candidatos, já que no fundo "votamos" pelos amigos - ferventemente que mobilizações populares, livres da bota repressiva militar, policial e sem domesticação política partidária de lucrativas campanhas, e com suas próprias cabeças, assaltem algum dia os céus e tomem em suas mãos a liberdade real do seu dia a dia.
Dito isto, e enquanto a Revolução não chega, Lula campeão!
Carlos Pronzato (escrito durante as gravações na Espanha do documentário DURRUTI ERAM TODOS, Revolução Social Espanhola, 1936/1939. O tema desta obra é refletir sobre um povo, o espanhol, que tomou conta do seu destino naqueles anos e resolveu fazer uma Revolução Social e Política enfrentando nas ruas o fascismo e de costas a uma cambaleante República surgida das eleições, que não se mostrou à altura das circunstâncias).
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